Esse fim de semana eu venci um dos ritos de passagem que toda mãe (bom, a maioria, ou melhor, a maioria das mães de menino) passa: o passeio ao Pronto Socorro.

Foi assim:

Sábado a noite, faltavam uns 15 minutos pra hora de dormir do Lucas. Eu e Marido estávamos vendo O Diabo Veste Prada e ele tava brincando. Daí ele ligou um brinquedo que toca musiquinha e começou a dançar e cantar junto, bem perto de mim, e eu olhando e sorrindo, até esqueci do filme. Dançou, escorregou num brinquedo no chão, enfiou a cara na mesa de centro e desatou a berrar. Eu voei em cima, peguei no colo e quando tirei a mão dele pra ver, vi o sangue. Peguei uma toalha e pressionei, o menino berrando. Daí coloquei ele no meu colo, liguei o DVD, coloquei o Shrek e fiquei conversando com ele baixinho. Num instante ele acalmou e a gente conseguiu ver o estrago. Era um corte de mais ou menos 1cm, mas bem fundo, perto do olho direito.

A enfermaria do hospital já tinha fechado e a gente tava discutindo se deveria levá-lo na emergência do hospital. Emergência de hospital no sábado a noite não é um bom lugar pra levar uma criança saudável, né? Como o sangue já tava parando, nós resolvemos colocar um bandaid e esperar até de manhã pra levá-lo direto na enfermaria. Enquanto Marido buscava o Bandaid, Lucas ficou bem queitinho no meu colo, falando do filme. Na hora de colocar o bandaid ele escolheu um do Ursinho Pooh e a gente tentou colocar de maneira a cobrir todo o corte e não incomodar o olho dele. Como ele foi macho pra caramba, ainda ganhou um bandaid do Shrek no braço só pra ficar feliz.

O processo todo demorou mais de uma hora, daí eu fiz a mamadeira e levei ele pra cama. Durante todo o processo eu fiquei calma como se nada tivesse acontecido. Engraçado que esses dias a gente tava conversando sobre isso no LV. Ainda bem que eu sou fria e controlada, pq se eu tivesse ficado nervosa, o Lucas provavelmente teria dado um escândalo. Como não tinha ninguém nervoso, ele também não ficou.

Em compensação, depois que ele foi dormir, eu fiquei pensando nos pontos no dia seguinte, em como ia ser. Pensei que como mãe de menino, é provável que eu passe por isso várias vezes na vida, eu só não tinha atentado pra realidade das coisas ainda. Pensei no possível sabão que a gente ia levar no hospital por ter deixado os pontos pro dia seguinte. Nem preciso dizer que dormi pra caramba, né?

Durante a noite ele acordou duas vezes chorando. Na segunda, Marido trouxe ele pra nossa cama dizendo que tinha sangue na fronha dele, e eu dormi praticamente o tempo todo de mãos dadas, pra evitar que ele mexesse no curativo. Depois de ter acordado umas 300 vezes resmungando, ele dormiu até 9:30 da manhã. Acordou falando como o homem da cobra, dizendo que tinha um “badeide do bu-bé (Pooh Bear) na bossessa” e que tinha o “Séck” e a princesa Fiona no braço, e isso e aquilo. Falava tanto que eu só conseguia balançar a cabeça e ficar olhando pra ele confusa.

Tomamos café e fomos ao hospital. Eu, uma pilha de nervos. Felizmente fomos super bem atendidos, o Lucas já foi chegando na sala de espera, dizendo que a “dotora” ia dar pirulito (ele tá acostumado a ganhar pirulito da Dra. Eliane) e descobrindo a casinha de brinquedos. A enfermaria estava vazia e nós fomos atendidos imediatamente.

A enfermeira fez um monte de perguntas (que eu já esperava, afinal, dizer que a criança escorregou e caiu com a cara na mesa é meio suspeito, né?), tirou o bandaid (essa foi a parte mais difícil, o danado parecia superbonder) e a gente teve uma surpresa. Em 12 horas o corte tinha fechado bastante! Daí ela me disse a coisa mais linda que eu ouvi hoje: que não ia precisar dar ponto.

Ela limpou, pegou umas tirinhas bem fininhas de esparadrapo, colocou dois no Teletubby do Lucas, e colocou os outros fechando o corte, segurando a pele mas sem cobrir tudo. Me disse pra manter a área seca por 5 dias, que provavelmente em 3 já teria fechado tudo e só. Nada de pomadas, nada de pontos, nada de troca de curativos. Só deixar a natureza trabalhar sozinha.

Não levamos bronca, não levamos ponto, o Lucas saiu de lá satisfeito pq ia ganhar um pirulito, e eu saí de lá bem mais tranquila. Serão 5 dias sem lavar o cabelo, mas tudo bem. Eu gosto do meu menino azedinho também. O saldo da confusão: 1 toalha de mão, 2 fronhas (uma delas novinha, caríssima, filha única a coitada), 1 pijama e um lençol manchados de sangue. Amanhã eu resolvo (tento).

Ele passou o resto do dia dizendo que queria voltar no “pital” pra brincar na casinha e eu passei o resto do dia brigando com ele pra ele parar de pular perto dos móveis. Agora eu acho que entendi o que é isso de ser mãe de molequinho…